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com quantos paus se faz uma canoa?
Dote nasceu em 15 de outubro de 1953, Dia do Professor – talvez não por acaso. Filho de família nativa do sul da ilha, carrega no corpo e na fala um tipo de conhecimento que não se aprende em livro, mas na vida vivida no meio da natureza. Cresceu no José Mendes e, há mais de três décadas, vive na Costeira do Pirajubaé, território que conhece de olhos fechados Caçula de cinco irmãos, teve uma infância atravessada pelo mar. Enquanto os mais velhos iam trabalhar, ele ajudava o p


o congresso bruxólico
É há muito que contam, entre os contos de vó e os papos furados, da existência de um lugar no norte da ilha considerado preferido pelas bruxas da região. A dita Ponta da Feiticeira não ganha esse nome por acaso: o trecho entre as praias Brava e dos Ingleses, que abriga outros marcos como a Pedra da Feiticeira, Trilha da Feiticeira e Morro da Feiticeira, é palco antigo de acontecimentos fantásticos, luzes misteriosas e aparições inexplicáveis com frequência suficiente para ser


nós, ostras
Por Hadassa Paravizo O título não é por acaso, funciona quase como uma cacofonia do bem, gostosa e querida. Nós e ostras, juntas, postas lado a lado, soam como nosotras , a primeira pessoa do plural, no feminino, em espanhol. Espanhol que, a depender do mês, escuto aqui na ilha até mais do que o português. Nosotras também é a palavra que tenho tatuada no pé esquerdo. Ela me lembra tanta coisa, tanta gente, amigas, lugares por onde já morei e vivi: Jundiaí, São Paulo, Barcelon


o baile que virou pedra
Dizem que, muito antes da Ilha da Magia ter esse nome, as bruxas já escolhiam seus cenários preferidos para celebrar a noite. Um deles era o antigo gramado de Itaguaçu, à beira-mar, onde a lua batia cheia e o vento soprava como quem anuncia travessura. Foi ali que decidiram organizar um grande baile. Mandaram recado para criaturas de todo tipo: lobisomens, sacis, vampiros, mulas-sem-cabeça e encantados das matas e dos mangues. Se tivesse rabo, dente afiado ou algum traço de a


o surf como oração diária
Cabelos brancos ao vento, prancha debaixo do braço e um sorriso sereno. Aos 65, Rico segue riscando as ondas, mostrando que juventude é estar em movimento Quem mora ou passa pelo Rio Tavares já cruzou com ele. Rico é uma daquelas figuras que já se tornaram parte da paisagem, como uma lenda viva, símbolo do espírito livre que ainda resiste na ilha. Nascido em Curitiba, ele é da segunda geração de surfistas de Florianópolis e carrega na pele o sal, a sabedoria de quem fez do su


Floripa mil grau - a cidade sem filtro
Surgiu do improviso, no meio de uma greve de ônibus em Florianópolis. Os fotógrafos registraram os motoristas de forma cômica e, de repente, aquilo virou combustível para memes que ninguém sabia onde publicar. Foi assim que nasceu a página Floripa Mil Grau, no Facebook. A cidade estava pronta para rir e para se ver refletida, mesmo que com ironia. Quatorze anos depois, o meme virou linguagem, virou crônica, virou negócio, equipe, estrutura. Mas não perdeu o instinto de rua. H


a lenda de Conceição e Peri
Durante semanas, se encontraram em segredo à beira da lagoa, onde a noite os protegia e o vento escondia suas promessas. Mas o amor entre eles era proibido; nem as bruxas queriam, nem os anciãos da aldeia permitiam. Ela era filha da lua. Ele, da terra. E isso, naquela época, bastava para que o mundo tentasse separá-los...


o pescador e o tempo
Bebeto é da quarta ou quinta geração de pescadores da Lagoinha do Norte, colecionador do Troféu Tainha de Florianópolis. Cresceu com o sal grudado na pele, sentado no barco, ao lado do avô, ouvindo e aprendendo as responsabilidades do mar. Hoje, com mais de 40 anos de mar e rede, ele é patrão de canoa, o homem da popa: quem dirige a embarcação e cerca o cardume com experiência herdada e suor próprio.


o guardião invisível
A Lagoinha tinha suas regras. E quem não entendia o clima do lugar, descobria isso logo. Waldir escrevia, em pranchas de surf quebradas, que serviam como placas: proibido fumar maconha. “Eu dizia: quer fumar, vai lá no mato. Mas aqui, não. Aqui é lugar de Família.” Quem desrespeitava, às vezes, era surpreendido com um puxão de barraca. Com gente dentro mesmo. “Não era pra machucar. Era pra mostrar que ali tinha regras.”
E assim nasceu o monstro.


minerva
Minerva não é apenas um nome, é um eco antigo, uma chama acesa nas veredas do tempo. Sua história atravessa florestas, desertos, mares, aldeias e cidades, como quem carrega em si o mapa das coisas invisíveis.


dólmen da oração
Nosso bate-papo com a benzedeira Camila Gomes, que resgata o saber ancestral das benzedeiras da Ilha, estreia o bloco "Histórias de...


o aviador, o escritor e o mistério no céu do Campeche
Pouca gente sabe, mas Florianópolis guarda um segredo no céu e nas areias do Campeche. Um segredo que remonta aos anos 1920 e envolve um...
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