o baile que virou pedra
- larissashanti
- 16 de dez. de 2025
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Dizem que, muito antes da Ilha da Magia ter esse nome, as bruxas já escolhiam seus cenários preferidos para celebrar a noite. Um deles era o antigo gramado de Itaguaçu, à beira-mar, onde a lua batia cheia e o vento soprava como quem anuncia travessura.

Foi ali que decidiram organizar um grande baile. Mandaram recado para criaturas de todo tipo: lobisomens, sacis, vampiros, mulas-sem-cabeça e encantados das matas e dos mangues. Se tivesse rabo, dente afiado ou algum traço de assombração, estava convidado. Só um nome ficou de fora: o diabo. As bruxas acharam melhor não chamá-lo, diziam que ele sempre chegava de mau humor e com cheiro de enxofre.
Na noite marcada, o gramado virou salão. A lua servia de lustre, o mar tocava sua música e cada criatura dançava como podia.
Era um caos alegre, daqueles que só acontecem na fronteira entre o real e o encantado.
Mas o céu mudou de humor. Uma nuvem escura cobriu a lua, um trovão desceu tão forte que o chão tremeu. No clarão, apareceu a figura que ninguém queria ver. O diabo tinha vindo, mesmo sem convite.
A música parou no ar. As bruxas tentaram recuar, mas já era tarde. Conta-se que o diabo bateu seu cajado no chão e um raio cortou a noite ao meio, transformando todo o baile em pedra. As bruxas foram congeladas em pleno giro, assim como todos os outros convidados da festa.
Hoje, quem caminha pela orla de Coqueiros e Itaguaçu vê apenas blocos de granito no mar. Geólogos falam em erosão. Os nativos, no baile petrificado. Há quem jure que, em noites de vento forte, ainda se ouve um murmúrio distante da festa que nunca terminou.



