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tainha chilena

  • larissashanti
  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Hugo Rubilar veio de longe e encontrou, na Lagoa da Conceição, o lugar onde o peito enfim respira sem esforço. Nasceu no Chile, aprendeu a viver na Europa e reinventou-se no Brasil. Desde então, pinta a vida como quem devolve o ar que ganhou um dia


A TRAJETÓRIA


Desde o primeiro momento em que cheguei em Florianópolis, sempre soube que moraria aqui.


A Lagoa da Conceição me acolheu há 35 anos e, hoje, me sinto nativo. Na verdade, me sinto uma tainha de Floripa. Cada vez que saio e retorno, fico feliz porque voltei para casa.

Eu nasci no Chile, mas viver lá, em época de ditadura, era um sufoco, uma falta de ar. Quando saí, rumo a Europa, ganhei um pulmão. No outro continente, aprendi uma nova forma de vida. E me senti livre para poder criar.


Paris é um estilo de vida! A informação é muito mais rápida, forte e implacável. Lá, bebi de diversas fontes, que vão do movimento Pop Americano aos clássicos como Rembrandt e Velásquez, além de David Hockney. A cidade luz me ensinou a entender a vida e a arte.

Quando me mudei para o Brasil, depois da Europa, o tropicalismo invadiu minhas telas com cores vibrantes e fantasias ilimitadas. Em Floripa, aprendi a distância criativa do espaço: a visão de jogo na ilha é interminável, em Paris é muito curta. Encontrei muita inspiração cultural aqui, inclusive na literatura brasileira, a qual adoro: Leminski, Amado, Ruy Castro; também fui influenciado por Franklin Cascaes e suas imagens mágicas.


Meu sotaque permaneceu comigo, é forte, mas nunca foi um impedimento para me comunicar ou me relacionar. Sempre digo que falo mal, mas pinto bem!!! É minha forma de expressão.


A PINTURA E OS OUTROS MEIOS


El Arte, lo siento como o ato, reflexo de viver e sobreviver. É visceral. É a forma de me comunicar, dar amor e respirar.


Certamente ela é uma mistura de tudo, cores, minha história, manifestações críticas ao mundo, inspirações de fora e de dentro.


Eu gosto de pintar pela manhã, é essa energia que me permite trabalhar em harmonia com a arte. Também gosto de não me restringir à tela. Experimento com outros meios, não tenho limites. A pintura combina com tudo e nos acompanha desde a época das cavernas. Inclusive, já trabalhei com moda em grandes empresas de Paris, colaborei com várias bandas, mas especialmente com a minha favorita: Dazaranha. Faz 35 anos e seremos parceiros para sempre.


Amigo do Dazaranha

desde o início da banda, Hugo pintou murais, cenários de shows e criou imagens que fazem parte da história visual do grupo. Arte e música caminhando juntas pela Ilha.




O interessante da vida é estar em constante aprendizado e o que mais me inspira nesses encontros, entre artistas, é a troca de informação. Se você está esperto, dali nasce novos projetos e ideias.


O ser humano é uma revolução constante, e me tocou o privilégio de poder pintar o que eu gosto e conseguir representar os ideais da comunidade onde moro. Fico feliz de poder circular por todas as camadas sociais e fazer como disse Clint Eastwood: “Não deixar entrar o Velho”.



“Para mim, é um privilégio morar em Floripa. A Ilha é o melhor lugar do mundo e o povo brasileiro foi muito receptivo comigo, sou muito grato a todos.”

O MERCADO ARTÍSTICO E A ATUALIDADE



O mercado da arte sempre foi igual, sempre foi difícil. Aparentemente a arte não é uma coisa de primeira necessidade. A gente às vezes esquece que ela nos oxigena e nos projeta. Mas entre a tensão comercial da arte e a expressão, não separo nada; solo vivo e trato de pintar felicidade da forma mais simples, porque me sinto vivo.


Os tempos atuais também nos levam a ter um trabalho mais individualista, mas eu sou da geração que teve a sorte de relacionar-se com os grandes pintores como: Rodrigo de Haro, Plétikos e Hassis. Sou o mais jovem dos velhos pintores e o mais velho dos novos. Tenho excelente relacionamento com todos.


Quanto a trabalhos atuais, o momento mais importante da minha carreira aconteceu recentemente: fiz uma exposição em Buenos Aires e na embaixada do Chile, no mês de novembro de 2025. Foi um grande privilégio na minha trajetória, especialmente em um momento tão crucial na democracia chilena.


E, em dezembro, junto ao lançamento desta edição do OFFLINE, na praia da Joaquina, estaremos abrindo outra temporada do Atelier Âmbar, junto com minha companheira, a artista plástica, Kuke Castineiras. Levar a arte à praia é um sentimento que me seduz e projeta. A praia é a melhor galeria de Floripa.


Quanto ao futuro, meu sonho seria expor na Lua e fazer a capa dos The Rolling Stones.

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