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"pode vir que hoje tem tainha"

  • 23 de jun.
  • 3 min de leitura
Por Cadu Zahran

Foi assim que começou o domingo. Do outro lado da linha estava o Bebeto, pescador manezinho raiz da Lagoinha do Norte e amigo do Jornal OFFLINE. O recado era claro: hora de juntar a família e partir para o extremo norte da Ilha.


Fonte: Carol del Lama
Fonte: Carol del Lama

Quando pisamos na praia, por volta das dez e meia, o lanço já tinha rolado. A rede fez o seu trabalho e a areia estava lotada de tainha brilhando no sol. O pessoal falava em uns 30 mil peixes num lance só! Era muita tainha e muita gente. A praia parecia uma festa, com criança ajudando a carregar caixa, morador separando o seu peixe ali na hora e turista de queixo caído. Teve gente levando peixe em sacola, outros improvisando com o próprio casaco... uma loucura bonita de ver.


Olha, é difícil explicar para quem nunca viveu isso de perto. A pesca artesanal da tainha é patrimônio cultural aqui em Santa Catarina, mas vai muito além do trabalho: é um evento social. Durante essas semanas, o mar manda no ritmo da comunidade.

Tudo começa com o “olheiro”, o cara-chave da parada: ele fica num ponto alto da costa, com o olhar fixo no oceano, caçando qualquer sinal do cardume. Na hora em que avista as tainhas e dá o grito, os pescadores jogam a canoa na água e fazem o lanço. Depois, dezenas de braços se juntam na beira da praia para puxar a rede de volta.


A tainha viaja centenas de quilômetros, subindo o Atlântico Sul e fugindo do frio para se reproduzir. Todo ano, entre maio e julho, essa jornada transforma as nossas praias em arquibancadas para um espetáculo da cultura da ilha.


E, como toda boa história manezinha, a nossa só podia terminar comendo bem.


Pegamos uma mesa na areia da praia no Restaurante Vento Suli, do próprio Bebeto, ainda assistindo as pessoas tirarem os peixes da rede.


Nosso almoço? Adivinha. Tainhas fresquinhas, uma escalada na brasa e outra em postas. E não parou por aí: ainda veio lula à dorê, camarão grelhado e aquela ova frita que não dá para resistir. Estava tudo absurdo de bom.


Na volta para casa, ainda ganhamos duas tainhas ovadas. Elas viraram o nosso almoço de segunda-feira, assadas com a clássica farofa de ovas. Adaptamos uma receita de peixe assado que é segredo da minha sogra e o resultado ficou bom demais.



Deixo a receita aqui para vocês testarem também. Bom apetite!


TAINHA NA BRASA COM CEBOLA DOURADA NA MANTEIGA


INGREDIENTES:

1 tainha grande

Sal a gosto

3 cebolas grandes

200g de manteiga


MODO DE PREPARO:

Peça na peixaria uma tainha escalada, limpa e mantendo as escamas, e tempere apenas com sal. Com a churrasqueira em brasa média, coloque a tainha com o lado das escamas voltado para baixo – as escamas funcionam como uma proteção natural contra o calor excessivo. Asse lentamente até que a carne fique branca e cozida. Quando estiver pronta, vire rapidamente por cerca de 1 minuto apenas para dourar levemente a superfície.


Corte as cebolas em cubinhos pequenos e refogue na manteiga em fogo baixo. Mexa ocasionalmente por cerca de 30 minutos, até que os cubinhos fiquem macios, dourados e brilhantes.


Espalhe a cebola sobre a tainha ainda quente e sirva imediatamente.


FAROFA DE OVA DE TAINHA



INGREDIENTES:

300g de ova de tainha

2 colheres de sopa de manteiga

1 cebola média picada

2 dentes de alho picados

1 xícara de farinha de mandioca

Sal a gosto

Pimenta-do-reino a gosto

2 colheres de sopa de coentro fresco picado


MODO DE PREPARO:

Retire eventuais resíduos de sangue das ovas e cozinhe-as rapidamente em água fervente. Escorra, deixe amornar, tire a pele e corte em pedaços pequenos. Em uma frigideira, refogue a cebola e o alho na manteiga até ficarem macios; adicione as ovas e misture por alguns minutos, mexendo delicadamente. Tempere com sal e pimenta-do-reino. Acrescente a farinha de mandioca aos poucos, mexendo até obter uma farofa úmida e dourada.


Finalize com o coentro picado e sirva como acompanhamento da tainha na brasa.


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