o "estado" de sustentar um sonho
- larissashanti
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Por Karina Dutra
Venho de uma família simples, mas cheia de valores. Perdi meus pais ainda jovem e precisei aprender cedo a me virar, a me reinventar, a sobreviver. Nada veio de graça, mas tudo veio com aprendizado.
Antes de abrir um negócio, abri planilhas. Trabalhei no mercado corporativo, salário no dia certo, férias combinadas, estabilidade. Muitas vezes, pensei em voltar para esse “lugar seguro”, mas quem já sentiu o gosto da liberdade sabe: por mais que doa, ela vicia. Foi em Florianópolis, nessa ilha que acolhe e desafia, que decidi plantar minhas ideias e criar raízes.

Hoje empreendo na LAFE Creative e no SouBio Experience. Apesar de todos os desafios, nada paga o momento de levar meu filho na escola, assistir ao treino dele numa quarta-feira às três da tarde ou fazer uma reunião com cheiro de maresia entrando pela janela. Essa é a autonomia que escolhi, embora às vezes ela custe mais caro do que o salário fixo que deixei para trás.
Empreender em Florianópolis tem suas marés. Aqui a vida tem cheiro de sal, mas custo de aluguel alto. O verão enche os caixas, o inverno esvazia. A cidade inspira, mas também testa quem fica quando as luzes do turismo se apagam.
Vivemos em um tempo em que o sucesso é medido por produtividade, prazos e seguidores. Mas, hoje, aos 47 anos, penso que talvez o sucesso seja outra coisa: poder respirar. Ter tempo de ver o pôr do sol nas dunas e, mesmo assim, entregar o projeto no prazo. Ter coragem de crescer sem perder a simplicidade. Ter paz para dizer “não” quando todo mundo diz “sim”.
Empreender deixou de ser um ato e virou um estado. Não é sobre abrir CNPJ. É sobre sustentar um sonho mesmo quando todo mundo vai pra praia e você fica terminando planilhas. É lidar com a comparação: com São Paulo, com o vizinho, com o algoritmo. É ser criativo e calmo enquanto tudo pede pressa.
Ao mesmo tempo, o mundo mudou. Os jovens empreendem com inteligência artificial, os mais experientes tentam provar que ainda são relevantes.
“O mercado gira rápido, mas a ilha insiste em nos lembrar que nenhuma árvore cresce com pressa.”
Por isso, talvez empreender aqui seja como plantar no vento: exige raiz funda, paciência e fé.
E você, o que tem cultivado? Lucro ou tempo de qualidade? Ritmo ou vida?




