é da mistura que sai o bom som
Os Skrotes – Guilherme Ledoux, Chico Abreu e Igor de Patta – são uma banda que mescla ritmos, gêneros e personalidades. Quase duas décadas depois do seu início, o trio segue fiel à mesma inquietação, transformando liberdade criativa em identidade e criando um som instrumental que espalha a beleza de ser pouco convencional
VAMOS COMEÇAR PELO COMEÇO: QUEM SÃO OS SKROTES?
Os Skrotes são um trio instrumental de Florianópolis, Santa Catarina. Mas, além disso, são três amigos que se encontraram em determinado momento da vida e conseguiram construir uma aura coletiva, que acabou resultando no som da banda.
DE ONDE VEIO TODA ESSA HISTÓRIA DE SINTONIA E PARCERIA? COMO FOI ESSE ENCONTRO?

Foi como qualquer outro encontro que ocorre na vida: começamos em um bar chamado Taliesyn como uma dupla, convidados pelo Baga, que juntou essas cabeças e foi nosso primeiro baixista. Quando ele viajou, sentimos a necessidade de um terceiro elemento e a partir daí tudo se encaixou.
PRECISAMOS PERGUNTAR: E O NOME?
Na primeira fase da banda, a gente tocava no bar e vinha cada vez mais gente; o dono, querendo divulgar o evento, nos deu esse apelido. Não é um bom nome, mas ajudou a criar a identidade do grupo, e acabou ficando porque surpreendia tanto quanto a música.
O SOM DE VOCÊS É NOVO, MAS AO MESMO TEMPO CARREGA TEMAS E MOTIVOS ANTERIORES A ELE. COMO FUNCIONA ESSA MESCLA?
A nossa música é totalmente livre e atemporal, e carrega sons mais tradicionais – jazz, MPB, rock, blues, soul – junto dessa pegada eletrônica, como o drum and bass.
Nunca tivemos uma relação muito fechada com um único estilo musical, temos essa ansiedade de querer fazer, experimentar, misturar referências e transformar tudo isso em música.
COMO NASCE UMA MÚSICA NOVA? QUAL É O PROCESSO CRIATIVO DA BANDA?
As músicas nascem nos ensaios: alguém puxa uma ideia e a gente vai criando, mais ou menos como era antigamente, quando improvisávamos as músicas durante as apresentações. O que a gente tem agora é um método para conseguir juntar partes totalmente diferentes e um outro momento de olhar para esse material com mais calma e lapidar.
DE ONDE VEIO A FORMAÇÃO MUSICAL DE VOCÊS?
Assim como a mescla das outras coisas, a formação do grupo também é diversa. O Ledoux vem de família de música erudita, tendo contato com o estudo da música muito cedo; o Igor estudou piano até os 16 anos, e depois a formação foi a experiência de tocar; o Chico começou com a curiosidade da escuta, que virou vontade de tocar e depois estudo.
COMO É FAZER MÚSICA EM FLORIPA? COMO A CIDADE PODE SER MUSA?
Fazer música em Florianópolis é delicioso, porque todos os cantos inspiram, desde a parte natural – praias, matas, cachoeiras – até a parte urbana. Nesses quase vinte anos já passamos por várias fases, mas, mesmo com todos os desafios, a ilha é nossa mãe, nos acolhe e nos inspira.
Todos nós já moramos no sul, entre o Campeche e o Rio Tavares, então essa região faz parte da história da banda, mas também nos conectamos aos lugares mais tradicionais, como o Mercado Público, a Praça XV e a Praça da Alfândega; gostamos muito dessa nova vida cultural que vem acontecendo no centro, essa ocupação dos espaços, a vida noturna, os movimentos independentes. É muito bom ver as pessoas e a cidade acontecendo.

DEPOIS DE QUASE DUAS DÉCADAS, O QUE VOCÊS ACHAM QUE AINDA CARREGAM DA BANDA DE 2009? E O QUE MUDOU?
A gente ainda gosta muito de estar junto, e parece que o que ainda carregamos é essa amizade; o jeito inusitado continua, com tudo mais maduro, mais leve e melhor amalgamado. A música mudou, mas o Skrotes continua sendo esse lugar onde pegamos tudo e transformamos em música.
ATÉ ONDE VAI O OLHAR PARA O FUTURO? VÊM MAIS PROJETOS POR AÍ NOS PRÓXIMOS TEMPOS?
O futuro da banda é feito no presente, algo intuitivo que parece que nos carrega. Tivemos a sorte de encontrar Carlos Trilha, que nos convidou para uma imersão na qual construímos um repertório totalmente inédito e estamos ansiosos para finalizar.
Este ano ainda temos a comemoração de dez anos da trilha sonora que fizemos ao vivo para um filme mudo, “Nosferatu”, e o tributo a Luiz Henrique Rosa – um músico de Floripa, que foi respeitado por grandes nomes da música mundial, mas que ainda é pouco conhecido.
A ideia é colocar esses projetos para circular, tocar o máximo possível e continuar descobrindo para onde essa história pode nos levar.
PARA OUVIR O SOM DOS SKROTES e acompanhar as novidades, acesse a página da banda no Spotify ou o perfil no Instagram, @skrotes_.



