top of page

viva a viida

há 8 horas
3 min de leitura

Antes de Driin ser Driin existia Pedro, um menino que vivia entre o brincar e o existir. Foi desse universo intuitivo que nasceu um artista que acredita que as imagens chegam antes das palavras, e que sua missão é trazê-las para o mundo. Radicado em Floripa desde 1998, Driin encontrou na ilha um território de transformação. Na próxima página, apresenta, como arte colecionável desta edição do OFFLINE, uma obra da série “Anjos”, resultado de pesquisas sobre saúde mental, espiritualidade e uma busca por luz

Fonte: Huan Gomes
Fonte: Huan Gomes

Acho que o Driin nasce da produção intuitiva da criança aérea que o Pedro sempre foi. Lidar com isso era um desafio para as pessoas ao meu redor, mas foi a partir desse viajar que entendi a grandeza da vida e minha conexão com ela – quanto mais longe eu voava, mais acessava lugares que hoje reconheço como a base do meu trabalho artístico. Lembro sempre de um professor meu, que dizia que o papel do artista é ir ao plano das imagens e trazê-las ao mundo.

A arte sempre esteve ao meu redor, já que minha mãe é professora de artes e meu pai é saudosista do trabalho manual envolvido na produção de móveis e objetos. Nossa casa era cheia de pôsteres, imagens, pinturas, referências e materiais para alimentar a poética de quem já se comunicava desde cedo pela criatividade. Mesmo assim, a história começou de verdade quando saí de casa aos 17, 18 anos, para morar em Florianópolis: escrevi uma carta, acendi uma vela no altar de meus pais, peguei minha prancha de surfe, uma mochila de roupas, outra de tintas e vim para a Ilha da Magia.


Fonte: Huan Gomes
Fonte: Huan Gomes

Floripa me acolheu mesmo com todas as dificuldades, e acho que deve ter aqui um campo de atração para quem precisa passar por deleites e provações. Meu recomeço foi uma retomada do que precisava ser vivido e, entre o carpe diem, banhos de lagoa, caminhadas nas dunas e muita água salgada, meus passos me levaram às pessoas “erradas certas” e às “certas erradas”. Senti que aqui teria espaço para evoluir pessoal e profissionalmente. Assim foi: sou formado em Design Gráfico pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), onde também concluí o mestrado, durante uma época em que ir de carona para a aula fazia parte da cultura ilhoa, a gentileza pairava no meio social e havia uma relação mais verdadeira com o tempo e com os olhares. Foi um dos períodos de maior pureza da minha viida.



Fonte: Huan Gomes
Fonte: Huan Gomes

Antes de vender arte, vendia bolos e sanduíches para me manter — foi ali que aprendi que poderia ser dono do meu tempo. Parei (acho que porque eles não eram tão gostosos assim) e consegui inserir aos poucos minha arte em ruas e galerias da ilha, sendo talvez parte de uma das primeiras gerações de artistas a pintar na cidade mais livremente.


De lá para cá, o repertório só se expandiu. A tatuagem entrou em minha viida em 2000, e foi uma salvação tanto econômica quanto social para quem precisava de alimento físico e artístico; consegui me consolidar em minha comunidade com essa profissão milenar, que hoje é respiro, paixão e objeto de estudo. A música, por outro lado, se tornou o fio condutor que traz fluidez, ritmo e descompasso aos momentos.


A viida, hoje, acontece a partir do encontro da tinta com o mundo real: é um mosaico de momentos, meios artísticos, diferentes expressões e espaços em que a arte aparece.

Os temas que tocam o urbano e o espiritual surgem diante de cenários onde a viida nos traz desafios e não temos escolha senão ter fé e saber que as coisas vão acontecer. É uma espécie de conexão que tem como caminho principal uma mensagem de luz.


Arte colecionável da 7a edição do OFFLINE, assinada por Driin. Pegue a sua!
Arte colecionável da 7a edição do OFFLINE, assinada por Driin. Pegue a sua!

A série “Anjos”, assim, é continuidade de uma série anterior, “Delírio” — uma produção experimental em que trabalhei a condição humana retratando a saúde mental e seus processos —, na qual proponho uma reflexão a partir de um burnout que vivi no final de 2024. Obras como “Berotec”, “Passiflora”, “CBD” e “Valeriana”, entre outras, exploram diferentes sensações associadas a esses princípios ativos. “Anjos”, por sua vez, busca expressar uma conexão espiritual que nenhum deles seria capaz de alcançar e é uma série de diálogos com o céu.


Acho que a sociedade precisa da arte para retratar o espaço entre a alma e o viver e, mesmo não tendo necessariamente uma função prática definida, é o que nos une e conduz.


Seguindo em frente, o sonho é viver ao lado de minha esposa, ver nossas filhas florescendo e aprender com elas a liberdade de existir na arte apenas em cores, linhas e tempo.

bottom of page