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a mistura do Brasil e a essência da ilha

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

vem aí a 10ª edição do ARVO

O que nasceu em 2018 como um encontro despretensioso entre amigos no sul da ilha chega à sua 10ª edição em 2026, consolidando um dos movimentos culturais mais potentes do sul do país

Fonte: biah_art
Fonte: biah_art

O ARVO Festival transcendeu a música: tornou-se um laboratório de cidadania e inovação ambiental. Nesta conversa com o fundador André Costa Nero descobrimos o desafio de ser persistente quanto à sustentabilidade e a dificuldade de manter um festival com alma em tempos de algoritmos.



O ARVO COMPLETA 10 EDIÇÕES COM UMA TRAJETÓRIA DE CRESCIMENTO MUITO NÍTIDA. QUAL FOI O MOMENTO EXATO EM QUE VOCÊ PERCEBEU QUE A “FESTA ENTRE AMIGOS” DEIXOU DE SER UM EVENTO ISOLADO PARA SE TORNAR UM MOVIMENTO CULTURAL? 


No começo agíamos por instinto, baseados no lifestyle de Florianópolis — surfe, yoga, skate e bem-estar. O ponto de virada veio com a entrada do André Pardini como sócio, na terceira edição. Por conta da sua experiência de trabalho em outros festivais, ele trouxe o olhar da cenografia e a convicção de que deveríamos focar 100% na música brasileira. O sentimento é de que respeitamos o tempo de maturação do projeto. Foi isso que nos fez deixar de ser um evento local para dialogar com o país. Ver o público de hoje atravessando estados para estar aqui, mostra que criamos uma base sólida em um mercado saturado de eventos “sem alma”. O ARVO sobreviveu porque tem propósito.



Fonte: Pedro Malamam
Fonte: Pedro Malamam

Fonte: Gabriel Vanini
Fonte: Gabriel Vanini

Fonte: Pedro Malamam
Fonte: Pedro Malamam

O FESTIVAL É, HOJE, UMA REFERÊNCIA EM GESTÃO AMBIENTAL, MAS HOUVE UM CAMINHO DE “FAZER NO SILÊNCIO” ANTES DE COMUNICAR ISSO COMO DIFERENCIAL. EM QUE MOMENTO VOCÊS PERCEBERAM ISSO PRECISAVA SER COMPARTILHADO? 


Na verdade, a sustentabilidade sempre esteve presente na forma como pensamos o festival. Desde o início, nossa preocupação foi colocar as ações em prática antes de transformá-las em discurso, testando processos e entendendo o que realmente gerava impacto. Com o tempo, percebemos que talvez estivéssemos sendo discretos demais sobre algo que já fazia parte da essência do ARVO. Mesmo assim, o princípio nunca mudou: sustentabilidade não é selo para vender ingresso, é parte da operação. Na última edição, por exemplo, conseguimos triturar e compactar 100% do vidro gerado no evento, que já sai moído para retornar à cadeia produtiva. Hoje investimos proporcionalmente mais do que muitos eventos maiores para garantir esse nível de impacto reduzido, do sabão biodegradável nos banheiros ao ciclo fechado do vidro.



O LINE-UP DE 2026 É UMA VERDADEIRA “COLCHA DE RETALHOS” QUE UNE DIFERENTES BRASIS. COMO NOMES COMO FUNDO DE QUINTAL E JOÃO GOMES CONVERSAM DENTRO DA MESMA EXPERIÊNCIA? E POR QUE A INSISTÊNCIA NO SAMBA DE RAIZ? 


Não existe festival de música brasileira sem samba. É difícil encontrar o samba de raiz em grandes line-ups modernas, mas nós batemos o pé: o ritmo é a nossa ancestralidade. Colocar o Fundo de Quintal no mesmo palco que o piseiro de João Gomes, a explosão do BaianaSystem ou o pop da Carol Biazin é mostrar o quanto o Brasil é plural. A curadoria deste ano celebra essa diversidade – temos a sofisticação dos Gilsons (que vai lançar um novo álbum nesta edição do festival), a força feminina da Duquesa e, claro, o pé no chão da ilha com o Maracatu Arrasta Ilha.



Fonte: Pedro Malamam
Fonte: Pedro Malamam

O NOME “ARVO” HOJE É SINÔNIMO DE FESTIVAL, MAS A ORIGEM REMETE A UM ESTILO DE VIDA SOLAR QUE NASCEU LONGE DAQUI. COMO ESSA GÍRIA SE CONECTOU COM A ESSÊNCIA DE FLORIANÓPOLIS?


“ARVO” é uma gíria australiana para “tarde” (afternoon). O festival foi desenhado para começar de dia, aproveitando a transição solar. Mesmo agora, crescendo e indo para o Sapiens Park, mantemos a abertura às 14h.


O ARVO é Floripa em cada detalhe, e é esse espírito solar de “viver a tarde” que nos mantém conectados com a nossa essência manezinha.

VOCÊS TÊM UMA POLÍTICA DE INCLUSÃO SOCIAL QUE VAI MUITO ALÉM DO DISCURSO. COMO FUNCIONA O NÚCLEO DE INCLUSÃO SOCIAL (NIS)? A inclusão precisa estar no gramado. Criamos um sistema de ingressos gratuitos para pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas trans e mães solo. Na última edição, foram centenas de ingressos sociais distribuídos. Inclusão social é colocar essas pessoas lá com dignidade, ocupando os espaços de lazer e cultura que historicamente lhes foram negados. O ARVO só é completo quando todo mundo se sente parte dele.



ARVO FESTIVAL 2026

Fonte: Pedro Malamam
Fonte: Pedro Malamam
  • Data: 16 de maio de 2026

  • Local: Sapiens Park (Canasvieiras)

  • Abertura dos Portões: 14h

  • Line-up Confirmado: João Gomes, BaianaSystem, Fundo de Quintal, Gilsons, Carol Biazin, Duquesa, Maracatu Arrasta Ilha

  • Para ingressos, acesse aqui!

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