a ilha em cada traço
- 21 de mar.
- 2 min de leitura
Entre o “manezês” e o vôo do martim pescador, o artista Du Albuquerque resgata a alma de Florianópolis em um mapa que te convida a redescobrir o quintal de casa
O QUE TE MOTIVOU A CRIAR UM MAPA DE FLORIANÓPOLIS?
A história começou em 2008, quando conheci a ilha. Após morar em BH e Buenos Aires, voltei em 2018 com o desejo de registrar o que via e conhecer a fundo a cidade. Queria “captar” a proximidade com a natureza que temos aqui.
COMO FOI O PROCESSO DE PESQUISA SOBRE A FAUNA, FLORA E SÍMBOLOS LOCAIS?
Comecei listando o que via no dia a dia. Pesquisei os símbolos oficiais e descobri o garapuvu, o martim-pescador-verde, a orquídea Laelia purpurata... Foi um misto de observação direta e pesquisa bibliográfica.

QUAL FOI A DESCOBERTA MAIS SURPREENDENTE NESSE PROCESSO?
A presença de orcas me surpreendeu; elas não vivem aqui, mas passam pela região. Isso virou até livro: “Animais na Ilha de Santa Catarina de A a Z”, que lancei com a bióloga Cristina Santos. Outra surpresa foi o preá-de-moleques-do-sul, um dos mamíferos mais raros do mundo, habitante do arquipélago vizinho.
COMO A CULTURA LOCAL E O “MANEZÊS” ENTRARAM NO MAPA?
Quando cheguei, não entendia expressões como “Cuidado com a bucica”. Com o tempo, percebi que essas palavras carregam a identidade daqui. O mapa também é um registro cultural de coisas que fazem parte do cotidiano de quem mora na ilha.
ALGUM ANIMAL MUDOU SUA PERCEPÇÃO APÓS PESQUISA?
O saruê. Um apareceu na minha casa e, ao pesquisar como retirá-lo, descobri que é um animal fundamental para o ecossistema. Ele contribui para a limpeza do ambiente, comendo animais peçonhentos como escorpiões ou aranhas.
O MAPA JÁ ESTÁ NA 4a EDIÇÃO. É DIFÍCIL ESCOLHER O QUE ENTRA?
Sim, a diversidade é enorme. A cada edição acrescento novidades, como o bugio-ruivo, que está sendo reintroduzido na ilha. O mapa continua sendo criado no dia a dia; cada caminhada vira material para uma próxima atualização.
POR QUE TRANSFORMAR O MAPA EM UM MATERIAL PARA COLORIR?
Como escrevi na embalagem: “colorir é um jeito bonito de estar presente”. É um momento introspectivo ou familiar, ideal para quem está saturado de telas. Não há regras ou idade; colorir permite que cada um enxergue a ilha do seu jeito.
SE TIVESSE QUE ESCOLHER UM ÚNICO ELEMENTO PARA RESUMIR A CIDADE, QUAL SERIA?
A figueira da Praça XV. Além de impressionante, ela carrega história, é um ponto de encontro e acompanha as mudanças da cidade há muito tempo.



