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águas abertas
Por Larissa Shanti A terra em que pisava não era a sua. O ar que respirava também não era o seu. Até mesmo a secura que a abraçava parecia estranhar sua pele. Depois de 18 horas de voo e a incompreensível experiência de ver o sol nascer duas vezes no céu, Camila havia chegado ao outro lado do mundo. A viagem não foi fácil. Com a tendência a querer ser mais velha, de sentir que precisava ser mais velha, de lidar com as expectativas de um mundo que a obrigava a ser mais velha,


Marília
Por Larissa Shanti Marília um dia gostara de salmão. Daqueles bem fresquinhos, com a casquinha dura embaixo, cheio de maracujá e sal. Gostara. Passado. Gostara antes dos dentes apodrecerem, da carne flácida e da aridez dos olhos solitários. Gostara. Para o Presente, Marília vivia presa na rotina das enfermeiras. Da cama para a cadeira, da cadeira para a cama. Como se a vida no asilo não definisse ainda mais o seu corpo. Como se a vida de comidas úmidas e sem sal não matasse a
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