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Marília
Por Larissa Shanti Marília um dia gostara de salmão. Daqueles bem fresquinhos, com a casquinha dura embaixo, cheio de maracujá e sal. Gostara. Passado. Gostara antes dos dentes apodrecerem, da carne flácida e da aridez dos olhos solitários. Gostara. Para o Presente, Marília vivia presa na rotina das enfermeiras. Da cama para a cadeira, da cadeira para a cama. Como se a vida no asilo não definisse ainda mais o seu corpo. Como se a vida de comidas úmidas e sem sal não matasse a
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