temporada das gigantes
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Parte da programação fixa de inverno de Floripa é ouvir sobre a famosa temporada das baleias. Entre julho e novembro, o mar da ilha ganha novos contornos e é ocupado por animais lindos e enormes, que conseguimos ver mesmo de muito longe. O que nem todo mundo escuta é que o privilégio de assistir a esse espetáculo é resultado de décadas de proteção, luta e pesquisa

Todo ano, durante uma temporada, dividimos nossos mares de casa com as gigantes baleias-francas. Estamos tão acostumados que a sensação é de muito tempo de convivência pacífica, mas é tudo fruto de um longo trabalho de preservação e a razão de ser do Instituto Australis, que, por meio do Projeto Franca Austral (ProFRANCA), está fazendo a diferença aqui na ilha e em todo o litoral catarinense.
Dedicado, desde a década de 1980, à proteção e preservação das únicas baleias em ameaça de extinção a se reproduzirem na costa brasileira, o ProFRANCA é uma iniciativa premiada que hoje trabalha para reverter os efeitos de uma história marcada pela caça. O nome “baleia-franca”, derivado do inglês “right whale”, faz menção à facilidade de captura e à gordura abundante, que, transformada em óleo, fazia girar toda uma indústria. A prática é antiga e está marcada em nosso território: Armação é a técnica usada para a captura, Matadeiro é onde eram processadas as partes.
Hoje, com uma estrutura focada em ciência e conservação, o projeto opera em uma série de frentes:

• Monitoramentos aéreos que recolhem, entre outros dados, imagens dos padrões das calosidades encontradas nas cabeças das baleias – únicos como impressões digitais –, o que possibilita que sejam identificadas individualmente. Unidos a monitoramentos terrestres e acústicos, permitem o acompanhamento de seus deslocamentos, comportamentos e reprodução ao longo dos anos.

• Contribuição para a criação e atualização de políticas de preservação.
• Programas de estágio voltados à formação de pesquisadores capazes e à garantia do futuro do projeto.
• Ações de educação e sensibilização que aproximam a comunidade às baleias e reforçam sua importância no ecossistema e como patrimônio natural coletivo.

Graças a iniciativas como essa, a população de baleias-francas no litoral brasileiro tem apresentado sinais de recuperação nas últimas décadas, voltando a ocupar áreas onde antes haviam desaparecido. Anote aí: para ver os resultados de tanto tempo de cuidado, a melhor aposta são as águas frias das praias do sul da ilha voltadas para o mar aberto, sendo o Mirante do Morro das Pedras o ponto mais indicado para conseguir ver uma cauda, um mergulho, um espirro de água.
As baleias, assim como todos os seres, têm seu lugar no funcionamento harmonioso da natureza e merecem ter a chance de nadar tranquilas nos mares que dividimos.
E se, ao protegê-las, ganhamos de presente uma programação de inverno única, FRANCAmente, que sorte a nossa.
PARA VER, ENTENDER E APOIAR
O site do Projeto Franca Austral - ProFRANCA reúne informações sobre as baleias, a história do projeto, formas de apoio e também o rastreamento de avistagens ao longo do litoral catarinense: baleiafranca.org.br



