LIC
um lugar para viver a Lagoa
Às margens da Lagoa da Conceição, o Lagoa Iate Clube – o famoso LIC – chega aos 57 anos. Criado quando a cidade ainda era bem menor, o clube atravessou diferentes momentos de Florianópolis e vive agora uma nova fase, reunindo esporte, lazer e convivência em 70 mil metros quadrados ocupados por crianças de bicicleta ou brincando na piscina com segurança, enquanto pais e avós praticam esporte e encontram amigos; tudo isso à sombra de uma sede projetada por Oscar Niemeyer, marco da arquitetura moderna da cidade

A reunião de fundação aconteceu em 29 de maio de 1969, na sede da Incorporadora de Admar Gonzaga, principal idealizador do clube. O projeto foi desenvolvido por Niemeyer a seu convite, com detalhamento técnico do engenheiro David da Luz Fontes e execução envolvendo Walmir Bittencourt, primeiro arquiteto de Florianópolis. Segundo Niemeyer, o conceito era o de “[...] um clube aberto de praia e sol, no que a vida se passará ao ar livre, junto à lagoa e aos campos de esporte... leve e vazado.” A inauguração oficial ocorreu em 29 de maio de 1975.
Nas décadas seguintes o LIC sediou colônias de férias, bailes concorridos como o do Hawaii, dos Artistas e o Infantil, e torneios de futebol suíço e de tênis, sendo campeão estadual por diversos anos seguidos. “Pode-se afirmar que o LIC faz parte da memória social e esportiva da população de Florianópolis e de Santa Catarina”, resume Ricardo Murilo Pereira, atual presidente do clube.

Como muitos clubes sociais do país, o LIC sentiu o enfraquecimento dessa cultura: de um auge de 4.400 associados, chegou a apenas 380 títulos ativos na fase mais contrativa, o que levou à terceirização de alguns espaços — parcerias que, segundo Pereira, se mostraram positivas. Hoje esse cenário está em reversão: são 1.800 associados, correspondentes a 720 títulos, com meta de chegar a 1.000 títulos. “O clube está preparado”, afirma o presidente, citando a estrutura de doze quadras de tênis, seis de beach tennis e duas de futebol, além de academia, hangar para vela, SUP e remo, marina, espaços de pilates e fisioterapia, escola de dança e teatro, sauna, piscina e trapiche à beira da Lagoa.
O tênis tem tradição desde os tempos de Gustavo Kuerten, Rita Cruz Lima e Bruno Rosa. Hoje o destaque é Maria Eduarda (Duda) Carbone, vice-campeã sul-americana juvenil e uma das 170 melhores juvenis do mundo, que representará o Brasil no Mundial Juvenil no Egito, em novembro deste ano. Na vela são cerca de 100 velejadores ativos, formação que já revelou o olímpico Bruno Fontes e o bicampeão Pan-Americano Matheus Dellagnelo.
“Nossa ideia é trazer mais pessoas para aproveitar o que a Lagoa tem de melhor, sua natureza e suas belas paisagens”, afirma Pedro Paulo Gaspar da Silva, diretor náutico do clube.
Neste ano serão quatro regatas na Lagoa, incluindo a tradicional Regata 6 Horas, e o clube já trabalha para sediar, em 2027, o Campeonato Brasileiro da Classe Dingue.
O espaço também abriga a Escola Avalon, da educação infantil ao ensino médio, a escola de futebol Torino FC e o espaço de eventos Panorama Conceição. Ao lado de famílias antigas, o clube reúne hoje associados de dezenas de nacionalidades — franceses, alemães, argentinos, russos e outros — atraídos pela busca de qualidade de vida, segurança e contato com a natureza. A partir de 2027, o LIC ganha ainda um espaço gastronômico aberto a sócios e não sócios, além de mais quadras de tênis e revitalização da orla.

“O LIC teve que se adaptar à realidade dos últimos anos e hoje está preparado para uma nova fase de expansão, pois acredita haver um movimento de retorno das pessoas à vida no clube, que, além de todos os serviços que oferece, tornou-se um lugar de encontros e contemplação com as bênçãos da natureza e da vibe da Lagoa”, diz Ricardo Murilo Pereira.
Em uma cidade que cresceu tanto e ficou cada vez mais disputada, ter 70 mil metros quadrados à beira da Lagoa, uma construção de Niemeyer e uma estrutura pensada para diferentes idades é uma combinação rara e, para quem busca isso na Ilha, o LIC segue de portas abertas.



