top of page

Floripa de bike

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Quando chega o calor e o verão, uma das coisas mais prazerosas da vida é sentir a brisa no rosto. Aquele vento revigorante que, movido a pedaladas, ganha ainda mais significado

Por Andre Piva

Pedalar em Florianópolis, no entanto, é uma ambiguidade. Pode ser extremamente prazeroso, mas também bastante desafiador. A cidade conta hoje com mais de 160 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, concentradas majoritariamente na região central e em alguns bairros litorâneos. Ainda assim, quem pedala sabe: necessita-se atenção e cuidado constante nas vias.


Fonte: acervo pessoal
Fonte: acervo pessoal

Sempre que tenho a chance de percorrer a cidade de bicicleta, especialmente pela costa sul da ilha, a sensação é de estar em um cenário paradisíaco, como trechos do famoso “North Shore” do Hawaii. O caminho entre a Lagoa da Conceição e a Praia do Morro das Pedras, por exemplo, tem topografia favorável e paisagens impressionantes. Mas, ao mesmo tempo, revela um dos maiores desafios da mobilidade urbana em Florianópolis: o convívio com os automóveis e outros meios de transporte.



COMO TRANSFORMAR A PEDALADA EM UMA EXPERIÊNCIA SEGURA?

Antes de sair de casa, é essencial certificar-se de que a bicicleta está em ordem: pneus calibrados, freios funcionando, transmissão ajustada; no caso das bicicletas elétricas, ou com pedal assistido, checar a carga da bateria e conhecer os limites do equipamento. Os equipamentos extras também não são exagero; capacete e iluminação adequada são cuidados consigo mesmo.


Depois disso, vem a etapa de definir o roteiro. Florianópolis é um misto de ciclovias, vias compartilhadas e longos trechos sem qualquer infraestrutura cicloviária. Mesmo quando há ciclovia, a atenção precisa ser constante. Carros cruzam a faixa com frequência, veículos estacionam sobre ela e entradas de garagem surgem sem aviso.


COMO LIDAR COM OS CONFLITOS NO TRÂNSITO?

Antes de qualquer reação agressiva, vale lembrar que o trânsito é feito de pessoas. Nem sempre há má intenção, muitas vezes há pressa, desatenção ou desconhecimento. Tentar enxergar o lado do outro ajuda a evitar conflitos desnecessários.


A regra básica da convivência é simples: o maior cuida do menor. O ciclista deve respeitar o pedestre, o motociclista deve respeitar o ciclista, e assim por diante. O problema é que, principalmente nos horários de pico, o que se vê é uma disputa generalizada por espaço.


Fonte: acervo pessoal
Fonte: acervo pessoal

Hoje, outro tema que gera debate é o uso das bicicletas elétricas, dos veículos autopropelidos e dos ciclomotores que ultrapassam facilmente os 50 km/h. As regras seguem em evolução, mas um princípio deveria ser inegociável: quem anda mais rápido precisa cuidar de quem anda mais devagar.


Na prática, o que se vê é uma mistura confusa: bicicletas, e-bikes e ciclomotores circulando por calçadas, ruas e ciclovias, sem que fique claro onde cada um pertence. No leste da ilha, especialmente na região do Campeche, isso é ainda mais evidente. Carros, ônibus, motoristas de aplicativo e caminhões precisam redobrar a atenção com quem pedala. Os ciclistas, por sua vez, precisam respeitar os pedestres. Enfim, é necessário respeito e bom senso para evitarmos acidentes.



ACIMA DE TUDO, O BOM E VELHO, SENSO

Tendo mais de 25 anos pedalando pelo Brasil e pelo mundo, meu lema é simples: o bom senso sempre vence.


Fonte: acervo pessoal
Fonte: acervo pessoal
QUAL TRAJETO FICA DE SUGESTÃO?

A costa sul de Florianópolis é perfeita para pedalar, especialmente no fim de tarde, quando o trânsito para e as filas de carros se estendem. Quem está de bicicleta segue no seu ritmo, observando a paisagem, sentindo os cheiros e apreciando cada detalhe do caminho.


Essa é a beleza de pedalar: estar na velocidade perfeita para ver e viver a cidade.

E no verão, melhor ainda. Com direito àquela chuvinha típica da estação. Pedalar na chuva também pode ser prazeroso, desde que você esteja minimamente preparado para encarar as

intempéries e manter a atenção redobrada. Bora pedalar?


Andre Tahan Piva é fundador do @bikenamidia e diretor da Volta Ciclística de Santa Catarina (@voltaciclisticasc). Pedala há mais de 25 anos, acredita na bicicleta como ferramenta de transformação urbana e é fã dos esportes outdoor.
bottom of page