a vida com a porta aberta para o mar
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o Ribeirão e a história da ilha
Passando pelas estradas estreitas de paralelepípedos irregulares da freguesia do Ribeirão da Ilha a gente até suspeita que a região seja antiga, mas nem imagina o quanto: o bairro, que vai desde o alto do morro do sertão até a beirinha do mar, foi o segundo a ser fundado em Floripa
Poucos conhecem a história da nossa ilha, muitos menos conhecem os povos que viviam aqui, menos ainda conhecem os bairros que transformaram ilha em cidade, cidade em capital. Hoje contamos essa história, então prepare sua imaginação e tente visualizar o Desterro, como era chamado lá trás.

Antes território Carijó, os registros da presença de portugueses na ilha começam a partir do século XVI (1500), bem antes de qualquer assentamento oficial. Como quem já sabia da beleza da nossa terra, esse mapeamento faz menção ao uso da região como lugar privilegiado para o abastecimento de água doce durante longas viagens. Ainda assim, é apenas mais tarde, por volta da segunda metade de 1700, que o mar traz centenas de imigrantes às praias protegidas do Ribeirão, em busca de terras melhores do que as deixadas nos Açores.
Ao chegar, a primeira tentativa foi de estabelecer, nesta terra, aquilo que funcionava em outra. O plantio de trigo foi um tanto quanto em vão, a agricultura era limitada por conta da terra seca, as estradas eram poucas e a cidade inexistente, sendo necessária uma boa dose de adaptação.
Através da influência dos saberes indígenas, os engenhos de farinha de trigo transformaram-se em engenhos de farinha de mandioca, e o mar, nosso querido mar, deu lugar à pesca e à maricultura — elementos familiares para os Açorianos que também tinham uma cultura ilhoa. O próximo passo foi a culinária, a arquitetura e o artesanato que se adaptaram lindamente às possibilidades e materiais da nossa ilhota. A encosta do morro não foi grande desafio para a construção de uma vila e, à moda portuguesa de estradas íngremes, levantou-se a Igreja de Nossa Senhora da Lapa, por sobre a praça principal. Aos poucos, o povoado cresceu em casas de janelas coloridas, ranchos de pesca quase na água, mesinhas à beira-mar e toalhinhas de renda.
Assim surgiu nosso Ribeirão, o coração histórico do sul da ilha.
Afastado do centro o suficiente para ter mantido suas raízes bem fincadas na areia do mar, a entrada na freguesia parece um portal para o passado e convida à mudança de ritmo, como se subitamente o único meio de comunicação fosse ir até ali, bater na porta da dona Maria, que sempre tem novidades, e tomar um café.
Claro, o tempo passou, Desterro evoluiu e, saindo da nossa imaginação do passado para o presente, sabemos que o Ribeirão não é intocado. O que antes eram casinhas de pescadores, hoje são os excelentes restaurantes da via gastronômica; o que antes eram casas ao redor da praça, são hoje parte do comércio que alimenta o bairro, mas é tudo com respeito a quem veio antes, com cuidado com a história que as coisas contam e com apreço pela natureza que engloba o todo.

O Ribeirão, atualmente, é lugar para lavagem de alma, onde sentar para ouvir o mar inspira conversas profundas. As pessoas são reflexo da abundância de cores ao redor, o ar cheira mais limpo mesmo com a maresia e a comida parece, por ser tão fresca, ter mais gosto de casa.
O Ribeirão da Ilha, patrimônio cultural nacional, vale mais ser vivido do que visitado. Por um segundo, se deixe levar pelo ritmo lento que a rua exige, em outro pela energia de quem vai caminhando, se deixe olhar os detalhes de um azulejo ou de uma cortina de renda, ver com os próprios olhos a história que moldaram nossa ilha; só por hoje, fique até tarde pra ver o pôr do sol e, se tiver coragem, dizer que ganha na mesa do dominó, ouvindo de primeira mão a história ancestral de quem vive ali.

POUSADA DO MUSEU
A pousada e o museu conservam lembranças do tempo em que os primeiros imigrantes portugueses se estabeleceram em Florianópolis, entre 1748 e 1756.

INSTITUTO SEIVA
No profundo do Sertão do Ribeirão, o instituto oferece a potência curativa da natureza ao seu redor para vivências, cursos e oficinas voltados aos cuidados espirituais.

KAHUNA SUL
Kahuna dá a possibilidade de admirar as belezas da ilha por outro ponto de vista, com a experiência única de uma expedição de canoa havaiana.

AMORIKO
Adicionando ao charme das casinhas da freguesia, a brigaderia convida para uma pausa com um cafézinho especial, calma e barulho do mar.




