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Florianópolis, quando a tecnologia serve à qualidade de vida

há 7 horas
3 min de leitura
Por Diego Brites Ramos

Florianópolis figura entre as cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil no Ranking Connected Smart Cities, que avalia municípios com base em 75 indicadores distribuídos em 13 áreas temáticas, como mobilidade, governança, meio ambiente e mudanças climáticas, gestão de resíduos e outros. O reconhecimento não veio por acaso: desde o final do século XX, a cidade aposta em conectividade, educação tecnológica e integração entre universidades, empresas e poder público

Esse ecossistema permitiu que startups e scale-ups locais desenvolvessem soluções adaptadas às realidades do território — resolvendo dores de mobilidade, gestão pública e sustentabilidade urbana. Parte significativa das tecnologias que melhoram a vida na cidade hoje foi criada por empresas que nasceram, cresceram e se consolidaram em Santa Catarina. Mas o diferencial de Florianópolis não está apenas nas soluções desenvolvidas: está na metodologia criada para validá-las antes de implementar.


Nos últimos anos, houve um crescimento expressivo de soluções tecnológicas voltadas para desafios urbanos. A possibilidade de encontros entre profissionais que já trabalhavam com esses temas — como mobilidade, saneamento e planejamento territorial — e o ambiente de tecnologia consolidado em Santa Catarina permitiu aos idealizadores entenderem suas criações como soluções e aplicá-las com respaldo de mentores e outros especialistas.


Fonte: Huan Gomes
Fonte: Huan Gomes

Em 2016 ocorreu o lançamento do Laboratório Urbano de Inovação, implementado em 2017, que transformou a cidade em espaço de teste para tecnologias urbanas. Entre 2018 e 2019, a ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia), a Prefeitura de Florianópolis e a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) desenvolveram o Living Lab, programa inspirado em metodologias internacionais como as de Barcelona. Mais recentemente, entre 2023 e 2024, a UFSC e a Prefeitura retomaram o formato Living Lab, reforçando a importância da utilização de ambientes de formação para soluções que transformam as cidades em cidades inteligentes.


Quando esse apoio do poder público acontece, mudanças importantes se concretizam. Um exemplo em operação é a Sanapp, startup catarinense fundada em 2022 e associada à ACATE, que desenvolveu a Plataforma Bizu para monitoramento de redes de saneamento. Com inspeção robotizada, sensores embarcados e análise em tempo real, a tecnologia permite à prefeitura o mapeamento e monitoramento de redes de água, esgoto e drenagem, sem precisar enviar equipes a espaços confinados.


Em 2026, com o fenômeno El Niño trazendo maior volume de chuvas intensas para a região, a plataforma tem sido aliada estratégica em Florianópolis para identificar pontos de sobrecarga e entupimento antes das precipitações, permitindo ações preventivas que evitam alagamentos e prejuízos à infraestrutura. A solução foi validada no Living Lab 5G e em paralelo participou de um Contrato Público de Solução Inovadora (CPSI), recebendo aporte no Programa de Incentivo à Inovação (PII) da prefeitura e sendo hoje parte do dia a dia da gestão municipal.


Atualmente, são 1.950 empresas de tecnologia associadas à ACATE — que completa 40 anos em 2026 — distribuídas por oito polos de inovação no estado, com forte presença na região de Florianópolis. A diretora da Vertical Smart Cities da ACATE, Thaís Nahas, coordenou edições do programa Living Lab em Florianópolis. Na Vertical Smart Cities, ela coordena uma atuação da associação enquanto ponte entre empreendedores, universidades e gestão pública, viabilizando que soluções desenvolvidas no ecossistema encontrem espaço para validação em contexto real.


O dinamismo do ecossistema catarinense se reflete também nos números: o setor de tecnologia registrou sete operações de fusões e aquisições no primeiro semestre de 2026, movimentando R$ 530,8 milhões.


O crescimento consolida Santa Catarina como um dos principais polos de inovação do país.

O trabalho consistente levou a cidade ao topo do Ranking Connected Smart Cities em 2024 e à segunda posição em 2025, entre os mais de 5 mil municípios avaliados no Brasil. O que diferencia Florianópolis são as pessoas e os empreendedores que não adotam tecnologia por modismo ou pela pressão de tendências globais, mas sim para resolver problemas reais. Essa é a inovação que importa: a que melhora a vida das pessoas de forma consistente, validada e adaptada ao território.



Diego Brites Ramos é líder em tecnologia, inovação e ecossistemas. Formado em Engenharia Elétrica pela UFSC, atualmente é sócio e CEO do Grupo TELTEC e Presidente da ACATE - Associação Catarinense de Tecnologia.
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