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touro: "A felicidade não está no fim, mas no caminho."

  • 29 de abr.
  • 5 min de leitura
Por Benter Zion

Bem-vindos, queridos leitores!


Como havia prometido, trago o assunto das eras astrológicas; as vantagens de estudá-las são a perspectiva ampla sobre a evolução da consciência coletiva e as ferramentas práticas que oferecem para navegar nas mudanças tanto sociais quanto pessoais.


Só para que estejamos sintonizados, situo que estamos atualmente na Era de Peixes e transitamos em direção da Era de Aquário. Senta que lá vem história…


As eras astrológicas são períodos de aproximadamente 2.150 a 2.160 anos, determinados pela precessão dos equinócios. Cada era reflete o simbolismo do signo que ocupa o ponto vernal (que corresponde ao equinócio de outono ou a 0º de áries, também dito ponto de áries), influenciando as religiões, a política e a cultura da época. As eras astrológicas se movem na ordem inversa (sentido anti-horário) à sequência convencional dos signos do zodíaco.


Descrevendo essa retrogradação com pontos marcantes de cada era, a Era de Peixes (Atual – em transição para aquário) teve início em aproximadamente 0 d.C. e é dito que vai até 2000-2600 d.C.; seus temas são o Cristianismo, a espiritualidade, o sacrifício e o misticismo, além de estabelecer uma forte conexão entre a fé e o mar – é marcada pelo domínio das religiões abraâmicas e pela expansão marítima (as Grandes Navegações), que uniram continentes através dos oceanos.


Antes dela, a Era de Áries foi de aproximadamente 2200 a.C. a 100 a.C. Seus temas incluíram conquistas e expansões militares – citam-se os impérios estabelecidos por romanos, gregos, assírios, persas, etc., todos voltados a imagens masculinas de, deuses da guerra; foi a era do ferro, do fogo, e o foco mudou da agricultura para a conquista. São aparentes também os símbolos relacionados ao carneiro, como o aríete (uma ferramenta feita para derrubar portões, que leva o nome e a forma da cabeça de um carneiro) e a imagem do cordeiro bíblico: na transição das eras, Moisés desce do monte e repreende a adoração ao "Bezerro de Ouro" (touro), instituindo o sacrifício do cordeiro (áries).


Anterior a essa foi a Era de Touro. Estabelecendo-se de aproximadamente 4400 a.C. a 2200 a.C. a.C., seus temas foram a adoração ao feminino, o materialismo e a agricultura. Foi marcada pela fixação do homem à terra, pela valorização da matéria e da fertilidade e por grandes construções, como as Pirâmides do Egito e dos zigurates, monumentos de pedra que buscam a perenidade física (característica taurina). As imagens eram as do boi sagrado: no Egito Antigo, o boi Ápis era venerado como a encarnação da força vital e da fertilidade agrária; na Mesopotâmia e na Civilização do Vale do Indo, o touro era o símbolo central de poder e riqueza; no subcontinente indiano, o touro foi estabelecido como um símbolo supremo de fertilidade, força telúrica e divindade; na Índia, essa veneração evoluiu para a figura de Nandi, o touro sagrado que é a  montaria (vahana) e devoto fiel do deus Shiva.


Antes ainda veio a Era de Gêmeos, entre aproximadamente 8.780 a.C. e 6.620 a.C. Seus temas contam com o desenvolvimento da escrita, a comunicação, o comércio e a mitologia dualística de opostos complementares e da natureza dividida do ser humano. Antes dela foi a Era de Câncer, ocupando aproximadamente de 8.142 a.C. a 5.982 a.C.; seus temas foram também uma fixação do homem na terra (Neolítico), o foco no lar, na família e na adoração à Deusa Mãe. Foi o fim da vida nômade, o surgimento das primeiras habitações fixas e práticas agrícolas, onde nasce o sentimento de pertencimento.

 

Por fim, a Era de Leão marca entre aproximadamente 10.740 a.C. e 8.780 a.C., um período pós-era glacial, marcado pelo impulso inicial do foco no "eu" (solar), pela realeza, pela criatividade, por cultos ao Sol,  e pela transição de caçadores-coletores para a agricultura e domesticação de animais. Alguns ainda sugerem que essa era foi o "grande salto em frente" (Paleolítico Superior), com o surgimento de arte figurativa (como ídolos de cabeça de leão), armas complexas, ferramentas como anzóis e flautas de osso, demonstrando imaginação e cultura simbólica.


E por aí seguem os estudos.


Essa é uma contribuição simbólica da astrologia à paleoantropologia. Como puderam acompanhar, essa ordem mostra a mudança do ponto vernal pelo evento da precessão dos equinócios, indo do signo de água (peixes) para fogo (áries), terra (touro), ar (gêmeos), água (câncer) e fogo (leão) novamente, portanto um movimento contrário à ordem zodiacal convencional (áries, touro, gêmeos e assim por diante).


Há um panorama evolutivo, onde pode-se perceber a origem dos pilares da cultura  e o surgimento de estruturas arquetípicas fundamentais  à sociedade e ao individuo em seus sistemas de crenças e mecanismos mentais.

Hoje, caminhamos para a Era de Aquário (Iniciando-se agora / séc. XXI).


A era representa a transição de fé para conhecimento, de hierarquia para rede e de matéria para  tecnologia. Os marcos possíveis serão uma Revolução Digital, a exploração espacial e a busca por soluções coletivas e humanitárias. A água de aquário não é o mar (peixes), mas o conhecimento “derramado” por sobre a humanidade. Vamos do crer para o saber: a consciência se torna autônoma, o foco é o conhecimento científico aliado à intuição; não se busca mais um "salvador", mas sim o despertar da própria consciência através da informação e da quebra de dogmas.


Uma observação muito importante é a de que cada era tem a sua sombra peculiar: na era de peixes a sombra era virgem, que foi duramente reprimido; as críticas e as novas formas de ciência foram vistas como obra do diabo e muitos foram mortos por defenderem a verdade e contrariar o poder estabelecido. Depois de superada a sombra, a ciência ressurge fortalecida e, como num pêndulo, será possível cair no excesso, de tal maneira que a Ciência poderá se tornar uma nova religião. Já na era aquário poderá haver a tendência  de “sombrear” leão:  a tônica é o coletivo, de tal maneira que poderá sufocar o indivíduo. Enfim, A sombra de aquário é a tendência ao autoritarismo coletivo, onde a voz única do grupo sufoca a singularidade.


Para finalizar, todo ano no mês de maio tem o festival de wesak (ou Vesak/Vaisakha), que celebra a iluminação de Sidarta Gautama, o príncipe que se tornou um Buda. O festival, celebrado na lua cheia, é a celebração budista mais importante. 


O Wesak, portanto, é o elo perfeito para ilustrar nosso estudo das eras e transições: ele funciona como uma "ponte" viva entre a Era de Peixes e a Era de Aquário na nossa atualidade. É uma síntese entre oriente e ocidente pela união das energias do Buda (Oriente/Sabedoria) e do Cristo (Ocidente/Amor) – síntese essa que representa muito bem a Era de Aquário, marcando o fim das fronteiras e a criação de uma fraternidade universal. 


Atualmente, com as transmissões ao vivo e meditações globais síncronas, o Wesak se tornou um evento tecnológico de conexão espiritual: não sendo apenas um ritual antigo, mas um "ensaio-treino" para a Era de Aquário, onde a espiritualidade convive com a ciência, com a consciência grupal e as aplicações práticas no mundo material.


A Lua Cheia de Wesak (em escorpião) está prevista para 1º de maio.


Gratidão e feliz aniversário aos taurin@s!


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