temporada de sagitário
- Carol Del Lama
- 25 de nov. de 2025
- 5 min de leitura
Por Benter Zion

Bem-vindos, queridos leitores!
Chegamos em Sagitário e aos centauros (nov.–dez.).
Ativa-se também a Casa Nove no mapa natal.
Nasce, assim, o momento da busca por sabedoria e autoconhecimento. É o Hierofante no Tarô: o guardião dos conhecimentos secretos e arcanos, símbolo de sabedoria, tradição, orientação espiritual e da conexão entre o mundo material e o espiritual. Representa a importância de seguir regras e estruturas estabelecidas, bem como a busca por conhecimento profundo, ensinamentos e significado na vida. Representa ainda nosso Eu Maior, nosso Átma.
O sagitariano Walt Disney escreveu: “se você pode sonhar, você pode fazer”, lembrando que todos os sonhos podem se tornar realidade se tivermos coragem de persegui-los. Já o sagitariano Osho partilha que a felicidade não é um destino, mas uma viagem.
A filosofia também pertence à esfera sagitariana. Osho afirma que podemos perder apenas aquilo que precisa ser perdido e que é melhor que percamos logo, porque quanto mais tempo seguramos, mais forte aquilo se torna.
Fecho este prelúdio encantado com a sagitarianíssima Clarice Lispector e um trecho da sua crônica visionária “Por não estarem distraídos”:
“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.”
Há, portanto, várias instâncias da sabedoria sagitariana, que também rege o direito e a filosofia. O sagitariano Claude Lévi-Strauss, fundador da antropologia estruturalista, escreveu que “o mundo começou sem o homem e acabará sem ele”. Para ele, o sábio não é quem fornece respostas verdadeiras, mas quem faz perguntas verdadeiras. Ressaltou ainda que um alimento não é apenas bom para comer, mas também bom para pensar, enfatizando a comida como prática social e simbólica.
Fica clara, assim, a “pegada” filosófica e a regência do pensar. Mas Sagitário também rege atividades esportivas, trilhas, artes marciais e terapias corporais. O sagitariano Joseph Pilates, terapeuta alemão, criou o método que inicialmente chamou de “contrologia”, inspirado em disciplinas como ginástica e yoga, com foco na conexão entre mente e corpo.
A virtude fundamental de Sagitário é a busca pelo sentido da vida, pela expansão da consciência e pela transmissão de sabedoria, ou seja, a busca por verdades universais.
Sua espiritualidade envolve explorar novos territórios, geográficos (viagens) ou mentais (estudos avançados, diferentes culturas e filosofias). A expansão física e mental conduz ao crescimento espiritual. A fé na vida e o otimismo são traços centrais, assim como a necessidade de liberdade. Sagitário precisa de espaço para explorar e evita crenças rígidas que limitem sua busca por significado.
Possui ainda poderosa intuição e uma mediunidade voltada a receber mensagens inspiradoras do mundo espiritual, que o orientam em seu caminho de crescimento e sabedoria. Depois de adquirir conhecimento, parte de sua missão é compartilhá-lo, atuando como guia ou mestre.
Uma curiosidade: a ponta da flecha da constelação de Sagitário aponta para o centro da nossa galáxia. O Sol descreve uma órbita ao redor desse centro (uma volta completa leva cerca de 225 milhões de anos, movendo-se a uma média de 828.000 km/h). Estamos situados em um dos braços espirais da Via Láctea, a aproximadamente 25.000 a 28.000 anos-luz do centro. Além disso, o Sol oscila para cima e para baixo em relação ao plano galáctico em ciclos de 60 a 74 milhões de anos. Já completou cerca de 20 voltas, que é o chamado ano galáctico.
Sagitário se interessa por tudo isso e pelas suas inter-relações com todas as instâncias da vida. Esse ano galáctico ajuda a compreender as eras astrológicas, como a transição atual da Era de Peixes para a Era de Aquário.
A Terra apresenta um “bamboleio” em seu eixo, que desloca lentamente o ponto vernal pelos signos. Um ciclo completo dura cerca de 25.920 anos (Ano Platônico), dividido em 12 eras de aproximadamente 2.160 anos cada.
Assim é o emocionante universo sagitariano: conhecimento, sabedoria e transmissão.
A Casa Nove do mapa natal, regida por Sagitário, fala da nossa filosofia de vida, ética, legalidade e visão ampla do mundo. Sagitário rege o compreender; seu signo oposto complementar, Gêmeos, rege o entender. Como escreveu o geminiano Fernando Pessoa: querer entender o que o outro pensa é discordar dele; sentir o que o outro sente é ser o outro. E ser o outro é grande utilidade metafísica.
Sentir é compreender; pensar é errar.
Sagitário é a ponte entre a profundidade de Escorpião e a busca de realização de Capricórnio.
É bom lembrar que Sagitário é metade animal e metade humano; o arqueiro que lança sua flecha no alvo. Os centauros, filhos de Íxion e Néfele, eram selvagens, violentos e excessivos. O centauro Quíron, porém, filho do titã Cronos e da ninfa Fílira, possuía natureza distinta: imortal, sábio, bondoso, mestre da medicina, artes, caça e profecia. Educado por Apolo e Ártemis, foi preceptor de grandes heróis, como Aquiles, Hércules, Teseu, Jasão e Ajax. Seu mito começa quando Cronos, disfarçado de cavalo, une-se a Fílira.
Sagitário é o buscador do sagrado. Viajante e andarilho, tipo Marco Polo. Mas o divino já está nele, em forma instintiva: seu pai é Cronos. O fim da busca sagitariana é nele mesmo. Ele precisa distinguir instinto de mente superior. Sua dificuldade em reconhecer o divino no lado animal surge de sua tendência a buscar apenas o que está distante ou elevado, negligenciando a integração do que é imediato.
A lição espiritual de Sagitário é viver a vida como uma peregrinação filosófica: evolução constante da alma pela busca e pela partilha da sabedoria.
Sempre há muito mais, mas já fizemos uma excelente caminhada filosófica.
Como diz a Gestalt: “até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso; nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.
Precisamos compreender que há mais de um caminho para o topo da montanha.
Bom mês sagitariano!
Benter Zion



