moçambique
- larissashanti
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
agora é Reserva Nacional de Surf
Moçambique é mais do que uma praia: é uma longa faixa de areia preservada pelo Parque Estadual do Rio Vermelho, território de caminhada, contemplação e surf. Quando o swell entra com vento terral, muitos consideram que ali quebra uma das melhores ondas da ilha.

O Programa Brasileiro de Reservas de Surf (PBRS), desenvolvido pelo Instituto Aprender Ecologia, inspira-se nas Reservas Nacionais de Surf da Austrália e no programa mundial da Save The Waves, que protege ecossistemas de surf icônicos. No Brasil, o PBRS vem sendo construído com a participação de comunidades, pesquisadores e organizações ambientais, todos, é claro, surfistas envolvidos no cuidado com seus territórios.

Entre 2019 e 2021, três workshops regionais reuniram cerca de cem lideranças para definir a base do programa, integrando dimensões sociais, culturais, ecológicas e políticas. Desde então, instituições como SOS Mata Atlântica, Instituto Linha D’Água, Ecosurf, WSL One Ocean e Conservação Internacional passaram a apoiar a iniciativa.
Em 2024, o PBRS lançou sua primeira Chamada Pública nacional. Quatro praias foram reconhecidas como Reservas de Surf: Moçambique (SC), Praia do Francês (AL), Itamambuca (SP) e Regência (ES).
O reconhecimento se baseia em quatro critérios: qualidade e consistência das ondas; história e cultura do surf local; características socio-ecológicas do ecossistema de surf; e engajamento comunitário.

Para Florianópolis, isso significa mais do que um título. Moçambique é a maior praia da ilha e uma das últimas áreas contínuas de natureza preservada, onde ondas, dunas, restinga, fauna e mar formam um único sistema. Ao ser reconhecida como Reserva, toda a área, da Barra da Lagoa ao Canto das Aranhas, passa a ter um marco oficial de proteção e valorização.
A medida fortalece ações já existentes e abre espaço para novas iniciativas de conservação ambiental, gestão responsável dos acessos, turismo consciente, valorização da cultura surfista e educação ambiental.

Na prática, cada Reserva deve elaborar um Plano de Gestão participativo, que orienta decisões sobre proteção da onda, manejo de trilhas e acessos, educação, pesquisa e monitoramento. Um colegiado comunitário reúne surfistas, moradores, pesquisadores, lideranças e poder público para decidir juntos.
A onda depende da duna, da restinga, do vento, da água doce subterrânea e das relações humanas que ali acontecem. Cuidar da natureza é cuidar da onda e da história que ela carrega.




