top of page

clube Patagônia

22 de set.
3 min de leitura


Tudo começa antes da viagem. Começa na decisão de ir e no desconforto de deixar o conhecido. Foi assim com Robson, em dezembro de 2012, quando pisou pela primeira vez em Ushuaia, e foi assim, mais de uma década depois, com Mariana Velasquez, quando embarcou para a Região de Aysén, no Chile, para viver aquilo que Robson havia criado a partir da própria paixão: o Clube Patagônia


Robson Pasquali, fundador do Clube Patagônia. Fonte: Eduardo Dux
Robson Pasquali, fundador do Clube Patagônia. Fonte: Eduardo Dux

Robson já tinha percorrido boa parte da América do Sul quando chegou à ponta do continente. Dois anos antes, um mochilão pela Bolívia e pelo Peru já havia deixado claro para ele o quanto essas terras eram bonitas, mas a Patagônia foi diferente. Ele ficou impressionado — boquiaberto, nas próprias palavras — diante de uma paisagem que parecia grande demais para caber em qualquer explicação. Sem saber, ali começava uma história que o acompanharia pelos anos seguintes.


Ele voltou, e voltou outras tantas vezes. Para correr, pedalar, fazer triatlos, subir montanhas, enfrentar frio e vento, fazer travessias e descobrir lugares que, muitas vezes, nem sabia explicar direito quando chegava em casa. Quanto mais conhecia, mais queria retornar, até que ele passou a não querer mais só voltar sozinho: queria mostrar aquilo para outras pessoas. Ele queria estar junto, levar as pessoas pelos mesmos caminhos, apresentar quem encontrou por lá, sentar nas mesmas mesas, entrar pelas mesmas estradas, mostrar a Patagônia que existe muito além dos cartões-postais e de Torres del Paine, pois o Instagram já dava conta dos roteiros e dos contatos, e ele queria dar conta da experiência.


Foi assim que nasceu o Clube Patagônia, pensado como uma forma de transformar uma paixão antiga em algo compartilhado. E é por querer tanto estar lá, que Robson faz questão de continuar viajando com os grupos. Quer ver a reação de alguém diante do Lago General Carrera pela primeira vez, quer estar por perto quando alguém termina uma trilha que achava impossível, quer tomar um vinho no fim do dia, ouvir histórias, dar risada e, na manhã seguinte, pegar a estrada de novo.


No fundo, ele sempre quis compartilhar um lugar que mudou a própria vida, na torcida para que, no caminho, esse lugar mudasse também a vida de mais alguém.

Mariana Velasquez, da comunidade Temple Culture. Fonte: Eduardo Dux
Mariana Velasquez, da comunidade Temple Culture. Fonte: Eduardo Dux

Mariana foi uma dessas pessoas. Psicóloga, fundadora da comunidade Temple Culture, ela embarcou em abril de 2026 para a expedição do Clube Patagônia pela região chilena de Aysén — Balmaceda, Coyhaique, Mallín Grande, Lago Chelenko. Lá, tudo era novo: o ar mais seco, o vento que não pede licença, o tempo que corre sem pressa. Um cenário de natureza superlativa, que faz tudo parecer grande demais para quem está ali só de passagem. Correr e viajar pela Patagônia, ela percebeu, exige mais camadas de roupa, mas também mais camadas de atenção, de entrega, de escuta. Foram quatro dias correndo, entre trilhas e estradas de terra, contornando lagos imensos, ao lado de outras dez pessoas, sendo a maioria delas completos estranhos até pouco tempo antes. Na Carretera Austral, a estrada virou personagem principal: horas de carro, sem sinal, dividindo conversas profundas com gente recém-conhecida, enquanto a luz mudava sobre as montanhas nevadas e os lagos de tons impossíveis de azul.


Mariana entendeu que era sobre estar aberta, sobre deixar que os olhos aprendessem a ler novas distâncias e que cada passo virasse uma forma de pertencimento em meio ao desconhecido — até a natureza ficar mais familiar do que a própria casa.


Os desafios de correr em situações extremas foram aparecendo pelo caminho, como sempre acontecem. E quando a gente continua por inteiro, apesar de toda a dúvida, é aí que algo muda dentro de nós. Duas histórias, o mesmo vento. De um lado, o homem que atravessou a Patagônia tantas vezes que decidiu parar de fazer isso sozinho; do outro, a mulher que aceitou o convite e chegou em casa diferente, não porque foi mais longe, mas porque enxergou melhor.


Fonte: Eduardo Dux
Fonte: Eduardo Dux

Essa é a definição mais simples do Clube Patagônia: uma desculpa que Robson encontrou para continuar naquelas estradas, agora levando outras pessoas junto, com o tênis nos pés, uma taça de vinho na mão, o frio entrando pela janela do carro e o Lago General Carrera se abrindo lá na frente, esperando por quem chega pela primeira vez.


AS PRÓXIMAS EXPEDIÇÕES DO CLUBE PATAGONIA acontecem no primeiro semestre de 2027. Entre em contato para saber mais:

bottom of page