top of page

45 anos

  • larissashanti
  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

de Jurerê Internacional

Cada bairro da Ilha tem um espírito. No Campeche, o vento carrega pranchas. Na Lagoa, a tarde demora no café. No Centro, a correria organiza o dia. Em Jurerê Internacional, a vibração é do bem viver. É o bairro da vida ao ar livre, da caminhada com o cachorro às 7h, do pedal no domingo e, também, da alta gastronomia, dos beach clubs e das noites que viram memória


Muitos bairros se constroem a partir das urgências da cidade, crescem empurrados pela pressa, pelo improviso. Jurerê Internacional é o contrário disso: território pensado antes de ser habitado. E, talvez, seja esse começo que explique a sensação de ordem, respiro e leveza que se sente quando se caminha pelas ruas largas, iluminadas, abertas ao vento.


















Foi em 6 de novembro de 1980 que o projeto começou a ganhar forma. O Grupo Habitasul apresentou um Masterplan que, para a época, era quase futurista. Ele falava de quatro dimensões: ambiental, cultural, física e humana. Um modo de dizer que o lugar seria construído não só para morar, mas para conviver. A ONU só viria a usar o termo “sustentabilidade” sete anos depois, mas, de certo modo, ele já vivia isso.


Um dos gestos urbanos mais marcantes foi a decisão de não construir uma avenida à beira-mar. Em vez disso, criou-se o Passeio dos Namorados: uma via para caminhar junto ao mar, com o corpo solto e o olhar no horizonte. Isso muda tudo. O litoral deixa de ser passagem e vira encontro.


Outro conceito que atravessa o bairro desde o início é o das casas sem muros. Uma escolha estética, sim, mas também simbólica: permitir que o bairro respire, que o verde circule, que o horizonte se estenda. Uma arquitetura que aproxima em vez de separar. Uma urbanidade que acredita que segurança também nasce da relação.


Há, também, o que ninguém vê, mas sente. A criação do Sistema de Água e Esgoto (SAE), por exemplo. Na época em que a rede pública não chegava até aqui, o bairro decidiu não esperar. Projetou, financiou e construiu seu próprio sistema completo e responsável. Uma decisão silenciosa, porém definitiva: fazer certo desde o início. Hoje, o SAE é referência no Brasil, com uma infraestrutura que não aparece nas fotos, mas se mostra no cotidiano. É a água limpa que chega, o mar que permanece azul, o bairro que funciona.



IL CAMPANARIO VILLAGGIO RESORT:
arquitetura charmosa com
suítes espaçosas, estrutura
de resort de alto padrão e um ponto clássico do bairro.
@ILCAMPANARIO

JURERÊ OPEN SHOPPING: rua aberta,
cafés, boutiques e o clima
gostoso de caminhar sem
pressa entre amigos e família.
@JUREREOPEN

BOSQUE AMORAEVILLE: espaço
verde estruturado com pistas de corrida e ciclovias que margeiam lagos, playground e sombra fresca.

PRAÇA SÃO FRANCISCO DE ASSIS:
área inaugurada em 2025 que virou ponto de encontro da comunidade: crianças, bicicletas e o ritmo calmo do bairro.

Com o tempo, Jurerê também aprendeu a se encontrar. Em 1994, nasceu o Jurerê OPEN, um centro comercial a céu aberto com mesas na calçada, crianças de chinelo, gente com toalha nos ombros, indo e voltando do mar. Assim, Jurerê deixou de ser somente projeto e virou cotidiano compartilhado.


No início dos anos 2000, o bairro começou a aparecer fora da Ilha. Os beach clubs trouxeram música, encontros e sotaques de longe. Em 2009, a praia recebeu a primeira Bandeira Azul da América Latina. Foi a prova de que beleza e cuidado podem caminhar juntos. No mesmo ano, o The New York Times cravou: “The Place To Be”. Mas para quem já vivia aqui, era apenas o nome que o mundo finalmente dava ao que o corpo já sabia. E há movimento de corpo o ano inteiro.


No Jurerê Sports Center (JUSC), treinam atletas olímpicos e crianças que estão descobrindo o prazer de jogar. Entre quadras, piscinas e arquibancadas, acontecem torneios como o WTA de tênis e o Troféu José Finkel de natação. Também acontecem coisas menores e bonitas: o alongamento antes do dia começar, a corrida leve depois do trabalho, o pedal que encontra o nascer do sol.


Em 2025, Jurerê Internacional foi reconhecido como a melhor praia urbana do mundo ibero-americano, após avaliação técnica de especialistas de 11 países. Não é um prêmio estético. É urbanístico, comunitário e ecológico.


Em novembro de 2025, o bairro completou 45 anos. Quase meio século de um projeto que virou vida. Do equilíbrio entre aquilo que foi pensado e o que só se entende vivendo.


bottom of page